O projeto Da Tela para o Caderno desenvolvido em
minhas aulas tem uma perspectiva de leitura focada no método Paulo Freire.
Partimos sempre de um tema
transversal intrínseco a realidade da comunidade ou de um tema universal que,
sendo universal, é local. O ponto de partida é diferente porque utilizamos
inicialmente o filme, preferencialmente o longa-metragem.
No primeiro e segundo
bimestres, foram exibidos os filmes “A Estrada”, “Um Olhar do Paraíso” e
“Confiar”. Os temas abordados foram: relações familiares e violência.
Partindo do pressuposto de
que os alunos estão alfabetizados, não há esse objetivo no Projeto, embora
aconteça o processo de reflexão e ação que pode levar a conscientização. Isso
faz parte da “alfabetização”.
As questões da reflexão e
uso da língua acontecem também fora do convencional. É a produção textual do
aluno que indica o que deve ser refeito em sua produção, sem nomenclaturas
gramatiqueiras e desnecessárias.
Há uma resistência a esse
tipo de atividade. O próprio aluno, acostumado aos estudos normativos com sua
nomenclatura alienígena, desconfia de que as aulas não são de Língua
Portuguesa. Os conteúdos programáticos
são “exigidos” dentro de um padrão burocrático distante da realidade.
É verdade que não se pode
desenvolver uma atividade desse tipo sem leituras, sem ser leitor, sem ser ator
de suas ações. Não se pode submeter nem ser submetido. Não se trata de ser
executor de projeto, mas construtor, elaborador, ator mesmo, fazendo reflexão
daquilo que importa no tempo presente.